Quanto cobrar por render e modelagem 3D quando o cliente é o escritório

Atualizado em 03 de outubro de 2026 · leitura de 12 min

Cobre do escritório por imagem, calculando pela sua hora: custo mensal dividido pelas horas faturáveis, vezes as horas que a imagem consome. Não há pesquisa com metodologia sobre preço de render no Brasil. A tabela do CAU orienta calcular imagem virtual pelo custo do serviço, sem valor de referência.

Resposta curta: quanto cobrar por render de arquitetura

Não existe pesquisa de mercado com metodologia publicada sobre preço de render ou de modelagem 3D no Brasil. O que circula são faixas em blogs, sem amostra e sem método. Quem diz "o mercado paga X por imagem" está repetindo uma dessas faixas.

Por isso a resposta honesta tem duas partes. A primeira é a sua hora mínima, que você calcula com os seus números. A segunda é a forma de cobrar, que transforma essa hora em preço de imagem, de pacote ou de modelagem.

Este guia trata do preço cobrado do escritório que contrata você, não do cliente final. Para o escritório, a sua imagem é custo direto do projeto, como plotagem ou maquete. Ele compara o seu preço com o honorário que já fechou com o cliente dele. É por isso que pede preço fechado por imagem e prazo amarrado à data da apresentação.

A tabela abaixo junta o que existe de referência e diz de onde vem cada número. As duas primeiras linhas são faixas sem metodologia. Servem para conferir se a sua conta está muito longe do que outros anunciam, não para definir o seu preço.

ServiçoUnidade de cobrançaReferência de valorDe onde vem
Imagem de interior residencialPor imagemR$ 300 a R$ 800Faixa publicada em blog (Roomie IA, fev/2026), sem metodologia
Hora técnica de renderPor horaR$ 80 a R$ 150Mesmo blog, sem metodologia
Imagens virtuaisPor imagemSem valor de referênciaTabela de Honorários do CAU/BR, Módulo II, item 1.1.7: cálculo pelo custo do serviço
Filmes e animaçõesPor minutoSem valor de referênciaMesma tabela do CAU, item 1.1.8
Modelagem 3DPor hora ou embutida na imagemSem fonte com métodoNa tabela do CAU, a modelagem faz parte da definição de imagem virtual
Sua hora mínimaPor horaCusto mensal ÷ horas faturáveisSua conta, com exemplo na seção "Calcule a sua hora"

Por imagem, por pacote ou por hora

As três formas podem chegar ao mesmo preço. O que muda é quem corre o risco quando o trabalho demora mais que o previsto.

Por imagem é o formato que o escritório prefere, porque ele sabe quanto vai gastar antes de começar. O risco do atraso, da revisão a mais e do modelo mal feito fica com você. Só funciona com escopo escrito: qual ambiente, qual câmera, qual resolução, quantas rodadas de revisão.

Por pacote é um conjunto fechado de imagens do mesmo projeto, como a fachada e três ambientes. Faz sentido porque o modelo é feito uma vez e cada câmera nova custa menos horas que a primeira.

Por hora protege você quando o escopo é incerto: projeto ainda em estudo, layout que vai mudar, pedido para "testar algumas opções". O escritório tende a resistir, porque não sabe o total. Uma saída é cobrar por hora com uma estimativa e um teto, e avisar antes de passar dele.

O nível de acabamento também entra no preço. A tabela do CAU descreve a imagem virtual em níveis de detalhamento: esquemática, detalhada ou foto-realística. Uma imagem de estudo de volume e uma imagem foto-realística de interior não são o mesmo produto. Escreva no orçamento qual dos níveis você vai entregar.

FormaQuando funcionaQuem corre o riscoO que escrever no orçamento
Por imagemProjeto definido e modelo pronto ou simplesVocêAmbiente, câmera, resolução, nível de acabamento e rodadas de revisão
Por pacoteVárias imagens do mesmo modeloVocê, diluído no volumeLista das imagens, preço da imagem extra e prazo de cada lote
Por horaEscopo incerto ou projeto ainda mudandoO escritórioValor da hora, estimativa de horas, teto e aviso antes de passar dele
Por minutoAnimação e passeio virtualVocê, se o roteiro não estiver fechadoDuração, roteiro aprovado e rodadas de revisão

Calcule a sua hora antes de olhar a faixa do mercado

A conta é simples: quanto você precisa por mês dividido pelas horas que você consegue faturar. O erro está nos dois números. O primeiro costuma esquecer custos. O segundo costuma contar o dia inteiro como hora faturável.

Uma referência para o primeiro número é o salário de quem faz trabalho parecido com carteira assinada. O desenhista projetista de arquitetura (CBO 3185-05) recebe em média R$ 3.227,78 por mês em regime CLT, com mediana de R$ 2.750 e jornada de 43 horas semanais. Os dados são do CAGED de agosto de 2025 a julho de 2026, compilados pelo site Salario.com.br. É referência de CLT, não de freela. Serve como piso: abaixo dele, você ganha menos que um emprego e ainda paga o próprio equipamento.

Sobre esse piso entram os custos que um empregador pagaria por você: computador, licenças de software, render em nuvem, energia, internet, contador e imposto. E entra uma reserva para o mês sem trabalho, para as férias e para o 13º que ninguém vai pagar.

Para o segundo número, conte só as horas que viram cobrança. Prospecção, orçamento, reunião, conversão de arquivo e cobrança tomam tempo e não entram em nenhuma imagem. O exemplo abaixo usa 20 dias de 6 horas faturáveis, ou 120 horas por mês. Os custos e a reserva são números de exemplo. Troque pelos seus.

ItemValor no exemploDe onde vem
Renda de referênciaR$ 3.227,78Média CLT do desenhista projetista de arquitetura (CAGED, ago/2025 a jul/2026)
Custos do trabalhoR$ 800,00Número de exemplo: software, nuvem, energia, internet, contador e imposto
Reserva para férias, 13º e mês fracoR$ 600,00Número de exemplo
Total mensalR$ 4.627,783.227,78 + 800 + 600
Horas faturáveis120 horas20 dias × 6 horas
Hora mínimaR$ 38,564.627,78 ÷ 120

Da hora ao preço da imagem

No exemplo, se você dividir só o salário pelas 120 horas, chega a R$ 26,90. A diferença de R$ 11,66 por hora é o custo de ser a sua própria empresa. Quem cobra pela conta do salário trabalha para pagar o computador.

Com a hora mínima, o preço de uma imagem é essa hora vezes as horas que a imagem consome, do recebimento do modelo à entrega final. Se uma imagem leva 8 horas, o piso dela no exemplo é 8 × R$ 38,56 = R$ 308,48. As 8 horas também são exemplo. Meça as suas horas em três ou quatro trabalhos e use a sua média.

Esse resultado é piso, não preço. Ele empata com um salário médio de CLT. O que você cobrar acima dele paga experiência, portfólio, prazo curto e o risco de errar a estimativa. Se o seu piso ficar muito acima das faixas que circulam, revise os custos e as horas. Se ficar muito abaixo, não há motivo para cobrar só o piso.

Modelar do zero ou receber o modelo pronto

Modelagem e render são dois serviços. Separe os dois no orçamento, mesmo que o escritório peça um preço só. Quando você modela do zero a partir de plantas em PDF ou DWG, a modelagem pode consumir mais horas que o render. Quando o modelo vem pronto, a primeira imagem fica bem mais barata de produzir.

O modelo que você faz serve para as próximas imagens do mesmo projeto. Isso justifica desconto nas imagens seguintes, não na primeira. A primeira imagem carrega a modelagem inteira, a menos que a modelagem seja cobrada à parte.

Modelo pronto também tem custo. Abra o arquivo antes de orçar. Se não der para abrir, orce com uma condição escrita: o preço vale para um modelo limpo, e o ajuste é cobrado por hora. Estes são os pontos que mais consomem horas:

  • Escala e unidade

    Confira se o modelo está em metros ou em centímetros. Escala errada estraga a iluminação e a câmera.

  • Geometria e camadas

    Faces duplicadas, grupos soltos e camadas misturadas viram horas de limpeza que ninguém viu no orçamento.

  • Versão e formato do arquivo

    Confirme que o arquivo abre no seu software, na sua versão, antes de aceitar o prazo.

  • Mobiliário sob medida

    Marcenaria desenhada pelo escritório precisa ser modelada. Peça de catálogo pode vir de biblioteca. São horas diferentes e preços diferentes.

  • Projeto fechado ou em estudo

    Se o layout ainda vai mudar, a modelagem vai ser refeita. Cobre por hora ou combine por escrito o que acontece a cada mudança.

Revisões e urgência

Revisão sem limite é o caminho mais curto para o preço por imagem virar prejuízo. O escritório revisa, mostra ao cliente dele, e o cliente pede outra coisa. Cada volta passa por duas pessoas antes de chegar a você.

Escreva no orçamento quantas rodadas estão incluídas e quanto custa a rodada extra. E defina o que é revisão e o que é mudança de escopo, porque a mudança de escopo mexe no modelo.

Aprovar em etapas reduz o retrabalho. Mande a câmera em baixa resolução para aprovar o enquadramento. Depois, uma prévia dos materiais. O render final só sai com os dois aprovados. Mudar a câmera depois do render final custa o render inteiro de novo.

Urgência também tem preço. Prazo curto tira horas de outro trabalho ou do seu descanso, e às vezes exige render em nuvem. Defina um acréscimo para entrega urgente e escreva o que conta como urgente. O prazo começa quando o material completo chega: modelo, plantas, referências de materiais e definição das câmeras.

  • Revisão (incluída até o limite combinado)

    Troca de material ou de cor, ajuste de luz, pequeno ajuste de câmera, troca de objeto decorativo.

  • Mudança de escopo (orçamento novo)

    Mudança de layout, de mobiliário sob medida, de fachada ou do projeto. Câmera nova também é imagem nova.

  • Urgência (acréscimo)

    Prazo menor que o seu padrão, contado a partir do dia em que o material completo chegou.

O que o escritório pode fazer com as imagens

A imagem que você produz é obra protegida pela Lei de Direitos Autorais, a Lei 9.610/98. O artigo 7º protege as obras de desenho (inciso VIII) e os projetos de arquitetura (inciso X). O artigo 29 diz que qualquer uso da obra depende de autorização prévia e expressa do autor.

O ponto prático está no artigo 49. Quando o contrato não especifica a modalidade de uso, a cessão vale só para o que é indispensável àquele contrato. Se o orçamento diz apenas "três imagens do apartamento", outros usos ficam em aberto. Isso deixa os dois lados inseguros. Escrever os usos evita a discussão.

A regra vale também para você. A imagem mostra o projeto do escritório, que é obra protegida pelo mesmo artigo 7º. Antes de colocar a imagem no seu portfólio, combine com o escritório quando e como pode.

Este guia não é parecer jurídico. Para redigir as cláusulas, veja o guia sobre contrato de freelancer e direito autoral e, se houver dúvida, consulte um advogado. No orçamento, responda pelo menos a estas perguntas:

  • Apresentação ao cliente do escritório

    É o uso básico. Deixe escrito mesmo assim.

  • Portfólio, site e redes do escritório

    Diga se está incluído e se o escritório deve dar crédito a você na publicação.

  • Venda e publicidade do imóvel

    Material de corretor, estande de vendas, anúncio de incorporadora. É um uso comercial diferente da apresentação e merece preço próprio.

  • Concursos, prêmios e publicações

    Combine se o uso está liberado e como o seu crédito aparece.

  • Arquivo editável

    Imagem final e arquivo do modelo são entregas diferentes. A tabela do CAU prevê os produtos finais de imagem virtual em meio eletrônico não editável. Se o escritório quer o modelo ou a cena, cobre como item à parte.

  • O seu portfólio

    Escreva quando você pode mostrar as imagens: depois da apresentação, depois da obra ou só com autorização.

O que diz a tabela do CAU sobre render e modelagem

A Tabela de Honorários do CAU/BR tem um item para isso. No Módulo II, item 1.1.7, "Imagens Virtuais" é cobrado por imagem. O campo de valor de referência fica vazio. A modalidade indicada é a 02: cálculo pelo custo do serviço.

Ou seja, a própria tabela não diz quanto vale uma imagem. Ela diz como chegar ao valor: pelo custo de produzir. É o mesmo caminho da conta da sua hora.

A definição da tabela ajuda no orçamento. Imagem virtual é uma simulação volumétrica produzida em computador com modelagem tridimensional, em níveis de detalhamento que vão do esquemático ao foto-realístico. A modelagem faz parte do serviço de imagem, e o nível de detalhamento muda o serviço.

Dois itens vizinhos seguem a mesma lógica. Desenho em perspectiva (item 1.1.6) também é cobrado por imagem. Recursos audiovisuais, como filmes e animações (item 1.1.8), são cobrados por minuto. Nos dois casos, sem valor de referência e pelo custo do serviço.

A tabela é referência, não obrigação. O valor dela para o freelancer é outro: é um documento oficial que diz que imagem se precifica pelo custo do serviço. Isso é argumento quando o escritório compara o seu preço com o mais barato que encontrou.

Perguntas frequentes

Quanto cobrar por imagem renderizada?
Calcule a sua hora mínima, que é o custo mensal dividido pelas horas faturáveis, e multiplique pelas horas que a imagem consome do recebimento do modelo à entrega. Não há pesquisa com metodologia sobre preço de render no Brasil. A faixa que circula para interior residencial, de R$ 300 a R$ 800 por imagem, vem de um blog sem metodologia. Use-a só para conferir se a sua conta está muito longe.
Quanto cobrar por modelagem 3D de um projeto?
Cobre a modelagem separada da imagem, por hora ou por pacote, a partir da mesma hora mínima. Abra o arquivo antes de orçar: modelo recebido com escala errada ou geometria suja vira horas de limpeza. Se o projeto ainda vai mudar, cobre por hora ou combine por escrito o que acontece a cada mudança de layout. Não existe referência de preço com método para modelagem 3D.
Quanto cobrar para renderizar um projeto inteiro?
Orce por pacote: a modelagem uma vez, mais cada câmera. A primeira imagem carrega a modelagem, a menos que ela seja cobrada à parte. As seguintes custam menos porque usam o mesmo modelo. Escreva a lista de imagens, o nível de acabamento, as rodadas de revisão incluídas e o preço da imagem extra.
Quanto cobra um renderista por hora?
Não há dado confiável. A faixa que circula, de R$ 80 a R$ 150 por hora, vem de um blog sem metodologia. Para achar a sua, divida o custo mensal (renda, custos do trabalho e reserva) pelas horas que você fatura. No exemplo deste guia, partindo da média CLT do desenhista projetista de arquitetura e de 120 horas faturáveis por mês, o piso dá R$ 38,56 por hora.
A tabela do CAU tem valor para render?
Não. No Módulo II da Tabela de Honorários do CAU/BR, "Imagens Virtuais" (item 1.1.7) é cobrado por imagem, sem valor de referência, pela modalidade 02: cálculo pelo custo do serviço. Filmes e animações (item 1.1.8) seguem a mesma lógica, cobrados por minuto.
O escritório pode usar minhas imagens no portfólio e nas redes?
Só se isso estiver combinado. Pela Lei 9.610/98, qualquer uso da obra depende de autorização prévia e expressa do autor (art. 29). Sem especificar a modalidade de uso, a cessão vale só para o indispensável ao contrato (art. 49). Liste no orçamento os usos incluídos. Combine também quando você pode mostrar as imagens no seu portfólio, porque elas mostram o projeto do escritório.
Devo entregar o arquivo 3D junto com as imagens?
Só se estiver no orçamento. Imagem final e arquivo editável são entregas diferentes. A tabela do CAU prevê os produtos finais de imagem virtual em meio eletrônico não editável. Se o escritório quer o modelo ou a cena, cobre como item à parte e diga o que ele pode fazer com o arquivo.

Fontes

  1. CAU/BR. Tabelas de Honorários de Serviços de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, Módulo II: Remuneração de Projetos e Serviços Diversos (consultado em 03 de outubro de 2026)
  2. Salario.com.br. Desenhista Projetista de Arquitetura, CBO 3185-05 (base CAGED) (consultado em 03 de outubro de 2026)
  3. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998 (Lei de Direitos Autorais) (consultado em 03 de outubro de 2026)
  4. Roomie IA. Como precificar renders de arquitetura: guia prático para 2026 (faixas sem metodologia) (consultado em 03 de outubro de 2026)

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