Notas fiscais emitidas contra o CNPJ do escritório: como consultar, baixar e lançar
Atualizado em 30 de setembro de 2026 · leitura de 7 min
As notas que fornecedores emitem contra o CNPJ do escritório ficam registradas nos ambientes do Fisco, mesmo que o PDF nunca chegue por e-mail. A NF-e (produto: material, mobiliário, equipamento) é consultada na SEFAZ pela distribuição de documentos ao destinatário, que exige o certificado digital A1 ou A3 da empresa e entrega primeiro um resumo; o XML completo vem depois da manifestação do destinatário (a ciência da operação). A NFS-e (serviço: projetista complementar, contador, software) aparece no Portal Nacional da NFS-e em "NFS-e recebidas", quando o município do prestador já usa o padrão nacional. Com o certificado A1, um sistema pode fazer essa consulta sozinho e trazer cada nota como sugestão de contas a pagar.
Por que a nota que o fornecedor emitiu nem sempre chega
Todo mês, parte das notas do escritório se perde entre o fornecedor e o financeiro: o PDF foi para o e-mail de quem fez a compra, o boleto chegou sem a nota, o projetista complementar mandou por WhatsApp. O resultado aparece no fechamento: conta a pagar que ninguém lançou, custo de projeto que não entrou no resultado e o contador pedindo o XML que ninguém tem.
A boa notícia é que a nota eletrônica não depende do e-mail. Quando o fornecedor emite, a nota fica registrada no ambiente do Fisco com o CNPJ do escritório como destinatário (na NF-e) ou tomador (na NFS-e). O caminho confiável é buscar lá, não esperar que ela chegue.
NF-e e NFS-e: onde cada uma fica
Escritório de arquitetura recebe os dois tipos, e cada um mora num lugar diferente.
NF-e (produto)
Material de obra, mobiliário, luminária, equipamento. É autorizada pela SEFAZ do estado do emitente e distribuída pelo Ambiente Nacional para quem é o destinatário. A consulta completa exige o certificado digital da empresa destinatária.
NFS-e (serviço)
Projetista complementar, consultoria, contador, software, fotografia. Na NFS-e do padrão nacional, a nota fica no Ambiente de Dados Nacional (ADN) e aparece no Portal Nacional da NFS-e, em "NFS-e recebidas", com acesso por gov.br ou certificado. Prefeitura que ainda usa sistema próprio guarda a nota no portal dela.
O que é a manifestação do destinatário
Na NF-e, a empresa destinatária pode informar à SEFAZ o que achou da nota. São quatro eventos, e cada um tem um uso:
Ciência da operação
Diz só que a empresa viu a nota. Não confirma nem recusa nada, e é ela que libera o XML completo na distribuição.
Confirmação da operação
A compra aconteceu e a mercadoria chegou. É a manifestação de quem lançou a nota.
Desconhecimento da operação
A empresa não reconhece a compra. É o que fazer com nota emitida contra o CNPJ por engano ou por uso indevido.
Operação não realizada
A compra existiu, mas não se concretizou (pedido cancelado, mercadoria devolvida). Pede uma justificativa.
Prazos que importam
Pelo Ajuste SINIEF 7/05, as manifestações conclusivas (confirmação, desconhecimento e operação não realizada) podem ser feitas em até 180 dias da autorização da nota. Sem manifestação nesse prazo, a operação passa a ser tratada como confirmada. É por isso que a nota emitida contra o CNPJ por engano precisa ser recusada cedo: depois de 180 dias, ela é sua.
Recusar a nota não a cancela. Só o emitente cancela uma NF-e; a manifestação registra a posição do escritório, e é ela que protege a empresa numa fiscalização.
Certificado A1 ou A3
A consulta das NF-e destinadas e a manifestação são feitas com o certificado digital da empresa (e-CNPJ). O A3 fica num token ou cartão e só funciona no computador onde está conectado. O A1 é um arquivo (.pfx ou .p12) com senha, e é o único que permite a um sistema consultar sozinho, de hora em hora, sem ninguém com o token na mão.
O certificado da matriz serve para consultar as filiais, porque a SEFAZ confere a raiz do CNPJ (os oito primeiros dígitos). Como o A1 assina em nome da empresa, só entregue o arquivo para sistema que o guarde cifrado e diga para que o usa.
Da nota ao contas a pagar
Consultar resolve metade do problema. A outra metade é a nota virar lançamento sem digitação e sem erro. O que funciona na prática:
1. A nota chega como sugestão
Emitente, valor, data e duplicatas vêm da própria nota. Nada vira conta a pagar sozinho: nota de remessa, devolução ou compra de outra empresa do grupo também chegam, e lançá-las no automático suja o financeiro.
2. Uma conta a pagar por duplicata
Nota de R$ 12 mil em três vezes vira três contas a pagar, cada uma no vencimento e no valor da duplicata. Sem duplicata, é um lançamento só no vencimento combinado.
3. Fornecedor pelo CNPJ
O fornecedor é achado pelo CNPJ da nota ou cadastrado ali, com a razão social certa. Acaba o mesmo fornecedor escrito de três jeitos.
4. Projeto e centro de custo
Material comprado para uma obra entra como custo daquele projeto, e o resultado dele passa a mostrar o que foi gasto de verdade.
5. Recusar o que não é seu
Não reconheceu a compra, recuse com o motivo, que vai para a SEFAZ. Não é compra (remessa, amostra), ignore sem manifestar.
Os erros mais comuns
O primeiro é depender do e-mail do fornecedor. Ele serve de aviso, não de controle: a lista completa está no Fisco.
O segundo é deixar para o fechamento do ano. A nota emitida contra o CNPJ por engano só pode ser recusada nos 180 dias da autorização, e o custo de projeto lançado meses depois não ajuda a decidir mais nada.
O terceiro é lançar a nota inteira quando ela foi parcelada. O fluxo de caixa passa a mostrar uma saída que não vai acontecer naquele mês.
Na prática, dentro do Projete.app
- No Projete.app, a aba Notas recebidas do financeiro traz as NF-e e NFS-e emitidas contra o CNPJ de cada empresa, com o certificado A1, e transforma cada uma em contas a pagar ligadas ao projeto, a partir do plano Business. Financeiro para escritório de arquitetura, ligado ao projeto.
- Se você compara com um ERP como o Conta Azul, veja o que cada um faz com as notas: quem emite, quem busca e onde os dois se complementam. Projete ou Conta Azul para escritório de arquitetura.
Perguntas frequentes
- Como consultar as notas fiscais emitidas contra o meu CNPJ?
- Para NF-e, pela distribuição de documentos da SEFAZ ao destinatário, com o certificado digital da empresa. Um sistema com o seu certificado A1 faz isso sozinho, e o portal da NF-e permite consultar nota a nota pela chave. Para NFS-e do padrão nacional, no Portal Nacional da NFS-e, em "NFS-e recebidas", entrando com gov.br ou certificado. Prefeituras fora do padrão nacional têm consulta no portal próprio.
- O que é manifestação do destinatário?
- É o evento em que a empresa destinatária de uma NF-e informa à SEFAZ sua posição sobre a nota: ciência da operação, confirmação da operação, desconhecimento da operação ou operação não realizada. A ciência libera o XML completo; as outras três são conclusivas e podem ser feitas em até 180 dias da autorização.
- Recusar uma nota cancela a nota?
- Não. Só o emitente cancela a NF-e. O desconhecimento ou a operação não realizada registram na SEFAZ que o escritório não reconhece a compra ou que ela não se concretizou.
- Preciso de certificado digital para baixar o XML das notas recebidas?
- Para NF-e, sim: a distribuição ao destinatário exige o certificado da empresa, e o A1 é o que permite a consulta automática. Para NFS-e do padrão nacional, o Portal Nacional aceita entrar com gov.br, e o download em volume por sistema usa o certificado.
- O Projete busca as notas fiscais recebidas?
- Busca, no plano Business. Com o certificado A1 de cada empresa, o Projete consulta a SEFAZ (NF-e) e o Ambiente Nacional da NFS-e, traz as notas emitidas contra o CNPJ e registra a ciência da operação. Cada nota vira contas a pagar só quando alguém lança, com uma conta por duplicata e o fornecedor pelo CNPJ; recusar manifesta na SEFAZ. O Projete não emite nota fiscal: a emissão continua com o contador ou com o seu emissor.
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