Tabela de honorários do CAU: como usar sem quebrar o escritório
Atualizado em 13 de julho de 2026 · leitura de 7 min
A tabela de honorários do CAU/BR é uma referência oficial de remuneração para serviços de arquitetura e urbanismo, mantida pelo Conselho e disponível em honorario.caubr.gov.br. Ela é referencial, não uma imposição: nenhum escritório é obrigado a cobrar o que ela indica. O uso certo é tratá-la como ponto de partida e argumento técnico na negociação, combinada com o custo real do seu escritório — porque a tabela não conhece a sua folha, a sua região nem a sua margem.
O que a tabela do CAU é — e o que ela não é
A tabela de honorários do CAU/BR é um instrumento oficial do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil que organiza, por tipo de serviço e etapa de projeto, uma referência de remuneração para o trabalho de arquitetos e urbanistas. Ela existe para dar ao profissional uma base técnica de cálculo, em vez de deixar cada escritório inventar preço no escuro.
O ponto que mais gera confusão: a tabela é referencial. Ela não é um preço obrigatório, não é um piso que o cliente é forçado a aceitar e não é um teto que limita quanto você pode cobrar. Escritório nenhum é fiscalizado por cobrar diferente do que ela indica.
Isso não a torna inútil — pelo contrário. Justamente por ser oficial e pública, ela é o único referencial de mercado que você pode colocar na mesa com um cliente sem parecer que tirou o número do bolso. Os valores e critérios de cálculo devem ser consultados sempre na fonte oficial, em honorario.caubr.gov.br, porque a tabela é atualizada pelo Conselho e qualquer número reproduzido fora dela envelhece rápido.
Para que a tabela serve de verdade no dia a dia
Na prática de escritório, a tabela cumpre três papéis que nada têm a ver com copiar valor e colar na proposta.
Argumento de valor com o cliente
Quando o cliente acha o honorário caro, mostrar que existe uma referência oficial do Conselho muda a conversa. Você deixa de defender um número seu e passa a discutir a partir de um parâmetro público e técnico.
Piso de sanidade
Se a sua proposta está muito abaixo do que a referência oficial indica para aquele tipo de serviço, isso é um alerta. Ou você está deixando margem na mesa, ou está subestimando o escopo — e vai descobrir isso no meio do projeto.
Linguagem comum de escopo
A tabela organiza os serviços por etapas e atividades. Usar essa mesma estrutura na proposta ajuda a delimitar o que está incluído e o que é adicional, o que reduz a clássica briga sobre alteração fora do combinado.
Como usar a tabela como ponto de partida
A tabela é o começo do cálculo, não o fim. Um roteiro prático para transformar a referência oficial em proposta:
1. Consulte a fonte oficial
Acesse honorario.caubr.gov.br, identifique o tipo de serviço e as etapas que correspondem ao escopo real do projeto e extraia a referência de lá — nunca de prints, planilhas de terceiros ou artigos com números desatualizados.
2. Levante o custo interno do projeto
Estime as horas de cada pessoa envolvida, multiplique pelo custo real da hora do escritório (salários, pró-labore, impostos, software, aluguel, tudo) e some despesas diretas como plotagem, deslocamento e consultores.
3. Compare os dois números
Se o seu custo mais a margem desejada fica perto da referência, ótimo: a tabela sustenta a sua proposta. Se fica muito distante, para cima ou para baixo, investigue antes de assinar — o problema costuma estar no escopo mal delimitado ou no custo mal conhecido.
4. Feche o valor pela sua realidade
O número final é decisão comercial sua: considera o cliente, o momento do escritório, o interesse estratégico no projeto. A tabela entra na negociação como referência técnica, não como algema.
O que ajustar em relação à referência
A tabela é nacional e genérica por natureza. O seu escritório é específico. Entre a referência e a proposta, pelo menos quatro fatores pedem ajuste:
Região e mercado local
O que um mercado de capital absorve como honorário normal pode ser impraticável em uma cidade menor — e vice-versa. A referência não enxerga o poder de compra do seu cliente típico.
Complexidade real do projeto
Dois projetos com a mesma metragem podem exigir esforços completamente diferentes: cliente indeciso, terreno difícil, aprovação complicada, nível de detalhamento. Complexidade se cobra, e é você quem a conhece.
Custo interno do escritório
Um escritório com dois sócios em home office e outro com equipe de oito pessoas e sala comercial têm horas com custos muito diferentes. A tabela não sabe qual dos dois é você.
Posicionamento e repertório
Especialização, portfólio e reconhecimento sustentam honorários acima de qualquer referência genérica. Se o seu escritório resolve um problema que poucos resolvem, o preço acompanha isso.
Por que copiar a tabela sem conhecer o próprio custo quebra escritório pequeno
O erro mais caro não é ignorar a tabela — é usá-la como piloto automático. O escritório pega a referência, aplica na proposta e assume que, se o número veio do Conselho, o projeto vai dar lucro. Não vai, necessariamente.
A referência não inclui as suas horas não faturáveis: reunião que não vira contrato, retrabalho de alteração mal negociada, tempo de gestão, prospecção. Em escritório pequeno, essas horas são pagas pelas mesmas duas ou três pessoas que produzem projeto. Se o honorário foi definido sem contar esse peso, cada contrato novo aumenta o trabalho sem aumentar a sobra no fim do mês.
O padrão de quebra é conhecido: o escritório fecha projetos em sequência, a agenda lota, o caixa não cresce e ninguém sabe dizer qual projeto deu lucro e qual deu prejuízo — porque nunca se mediu o custo de nenhum. A tabela virou desculpa para não fazer a conta.
A regra prática é simples: nenhuma referência externa substitui saber quanto custa uma hora do seu escritório e quantas horas cada tipo de projeto consome de verdade. Com esses dois números, a tabela do CAU se torna o que deveria ser — um instrumento de negociação a seu favor. Sem eles, é um número bonito em uma proposta que pode estar te afundando.
Transforme a referência em rotina de precificação
Consultar a tabela uma vez não muda nada. O que muda o resultado do escritório é a rotina: registrar horas e custos por projeto, comparar o previsto com o realizado no fim de cada contrato e usar esse histórico na próxima proposta.
Depois de três ou quatro projetos medidos, você para de precificar por intuição. Sabe que projeto residencial daquele porte consome tanto do seu time, sabe qual etapa sempre estoura e sabe em que ponto da negociação pode ceder sem entrar no prejuízo. A referência do CAU continua na mesa — mas quem manda na proposta é o seu número, não o genérico.
Também vale registrar cada proposta enviada e o desfecho da negociação: valor pedido, valor fechado, o que o cliente questionou. Esse histórico mostra se você está cedendo demais por padrão ou se o seu mercado sustenta honorários acima do que você pratica hoje.
Na prática, dentro do Projete.app
- Para usar a tabela do CAU como ponto de partida de verdade, você precisa saber quanto cada projeto custa para o seu escritório. O Projete.app registra receita, custo e margem por projeto, para você negociar sabendo onde está o seu limite. Controle financeiro por projeto na arquitetura.
- Proposta enviada sem registro vira negociação no escuro. Com o CRM do Projete.app, cada proposta, valor e desfecho fica documentado por cliente — e o histórico vira argumento na próxima conversa de honorário. CRM para escritório de arquitetura.
Perguntas frequentes
- A tabela de honorários do CAU é obrigatória?
- Não. A tabela do CAU/BR é referencial: serve como parâmetro oficial de remuneração, mas não impõe o valor que o arquiteto deve cobrar. Cada escritório define seus honorários considerando custo, escopo, região e posicionamento. Para orientações formais, consulte o próprio CAU/BR.
- Onde consulto a tabela oficial de honorários do CAU?
- No site oficial do CAU/BR, em honorario.caubr.gov.br. Evite planilhas de terceiros, prints e artigos com valores reproduzidos: a fonte oficial é a única que reflete os critérios e atualizações do Conselho.
- Posso cobrar abaixo do que a tabela indica?
- A tabela é uma referência, não um piso imposto — a decisão comercial é sua. O risco real de cobrar muito abaixo dela não é normativo, é financeiro: propostas abaixo do custo do escritório geram prejuízo por contrato. Antes de descontar, saiba quanto o projeto custa para você.
- A tabela serve para projetos pequenos, como reforma e interiores?
- A tabela organiza referências por tipo de serviço e etapa, e projetos menores também aparecem nessa estrutura — consulte as categorias no site oficial. Em serviços pequenos, o cuidado com o custo interno pesa ainda mais, porque o esforço de reunião e alteração é proporcionalmente maior.